21.7.09

BALSAMO






Febril de ausências
Deixou seu leito guardando paixão
E saiu
Varando sombras
Procurando luz
E m portas
Em janelas
No ensaio de sua cegueira
Ajoelhou-se no escuro cinza e úmido da noite
E pôs-se a implorar por um bálsamo

Saudade

?

É como noite sem sono
Dói de agonia
Dói de espera

TRILOGIA DO SONHO


TRILOGIA DO SONHO
I
DESENCANTO

Cravaram o germe do desencanto no coração de meu sonho
Cortaram sua garganta
Calaram seu canto
Arrancaram suas penas
Apagaram suas cores

Quebraram as asas de meu sonho
Quebraram as asas de meu sonho
Quebraram as asas de meu sonho.







II



FONTE INFECUNDA
Meu sonho envelheceu
Coberto de poeira
Já não sorve vontades
Já não inventa verdades
Já não sopra versos
Já não acende verbos

Meu sonho padece de desencanto
É fonte infecunda
Que seca
Seca
Seca







III
CLAUSTRO

As ausências comeram minha vontade
Comem
Lentamente
Meu presente
Certamente
Comerão o meu futuro
As ausências
Comem meu desejo de desejar
Meu sonho de sonhar

Resta-me o claustro do Passado
A opressão
De suas Quatro Paredes
De suas Quatro Estações
De suas Quatro Grades Cardeais

6.5.09

VESTÍGIO DE POESIA


Meus olhos
Buscam Poesia
Um vestígio
Que seja1
Retinas jejuadas
Abstinentes
Devoram a nesga de Céu
Que por caridade
Ou descuido
Os arranha-céus deixam
Ainda
Vazar sobre mim

Errante
Ávido de cores
Em gesto desarvorado
Rasgo o peito em fendas
E recebo
O colorido
Que a chuva fina
Teimosa
Pinta nos feixes de luz coada

Luz de um Sol
Entrincheirado
Intimidado
Pelo Cinza
Duro cinza
Cinza cinza
Cinza que de tão Cinza.
Mais que arranhar

Parece varar o Céu.

INÚTEIS ESCUDOS


CORES QUE NADAM


CORES QUE VÔAM


AINDA DURMO NO OUTONO!


LUGAR SEGURO


3.5.09

A PEDRA



Morto
Osso
Torto
Fosso
Caminhava
Procurava por Vida
Olhei com desdém para a Pedra

Só tinha olhos para o Céu
A Pedra
Guardava a Cor
O Som
A Luz
O Ar
E o Tempo
Todo o Tempo
O Tempo todo

Olhei com desdém para a Pedra
O Céu era de Barro
E seco de Amores
Ruiu sobre Mim
O Céu estava Morto

E a Pedra Viva
Mais viva que Eu
Wanda Monteiro

ESCOMBROS

A madrugada
Já não me é mais doce
A madrugada
Já não me é mais morna
A madrugada
Já não me afaga como brisa

A madrugada
Gélida
Singra–me
Vara-me
Parte-me
Deixando-me em ruínas

A madrugada
Já não me é contemplação

A madrugada

Agora

Contempla meus escombros


WANDA MONTEIRO